terça-feira, 6 de março de 2012

Por Causa da Igualdade de Trapézios

Olha, sou um sujeito contemporâneo, atento ao mundo, lavo louça, faço a cama, cozinho, esfrego panela e limpo a privada. Por isso – e não só por isso – sei que falar em igualdade entre homem e mulher, ficar discutindo homo, hétero, simpatizante, bi, tri, tetra, é bobagem.

Talvez nem passe por aí o que me vem à cabeça, talvez não seja questão de igualdade, se bem que sim, é questão de igualdade demais, a coisa foi longe, muito longe. Depois de as mulheres conquistarem o seu lugar no mercado de trabalho, conquistarem seu lugar na política, conquistarem o seu lugar de bandeirinha na beira do campo, parece que elas romperam a barreira definitiva: conquistaram o seu lugar na máquina de supino.

Se o Suposto Leitor não percebeu, sim, estou falando do novo padrão de (e vá aspas aí) beleza da brasileira. Acho que foi a cobertura dos sites de notícias com fotos e mais fotos das (capricha nas aspas, por favor) musas do carnaval, associado à constante presença das sisters do BBB – acho hediondo usar essa expressão – nos mesmos sites que me fizeram pensar nisso. De Panycat a BBB, de mulher de pagodeiro a dançarina do Faustão (além de um horizonte de expectativa bastante limitado) o brasileiro médio está sendo dominado (com um armlock bem dado) por um monte de músculos.

Sério, sou do tempo em que mulherão tinha curvas. Não músculos. Era violão, não contabaixo acústico.

Cada vez que vejo uma nova gata funkeira, ajudante de palco ou ex-alguma-coisa despontar nas fotos das mídias dedicadas às celebridades que se descuidam e mostram demais ou ignoram paparazzis e curtem praia à vontade, penso que, depois das popozudas, das peitudas, estão surgindo, aliás, já surgiram, as paletudas. Chego a temer que as próximas beldades brasileiras não sejam mulher-fruta, mas, sim, Jéssica Stallone, Vera Van Dame e Katia Vin Diesel (imagina a Sara Steven Seagal). Não sei o que sociólogos, psicólogos, biólogos dirão sobre esse fenômeno, mas parece um processo avançado de pós-igualdade entre os sexos. Se los machos podem ser metrossexuais, elas podem ser halterossexuais. Ou, até então, siliciones, regimes, curvas, eram sujeição ao gosto masculino. Agora não. Vamos sujeitar eles nem que seja no muque. Sério. Esses dias, no setor (importantíssimo setor, está em todos os sites de notícias do país) dedicado ao que de mais relevante (além dos bíceps, tríceps e quadríceps) aconteceu no Big Brother, pois um dia desses tinha uma manchete engraçada ali e resolvi ver o vídeo. Não sei o nome das moças que participavam da cena, mas elas vinham caminhando com suas montanha de músculos e, sério, o molejo, o rebolado, a malemolência, era de um troglodita. Aquela coisa homem porradão de cintura fina, que tem que caminhar fazendo força pra, além de exibir toda a musculatura, conseguir equilibrar os ombros que devem pesar mais que todo o resto do corpo. Sabe, vem balançando, como se tivesse uma mola na cintura e o resto todo fosse feito de concreto? Baixei o áudio do vídeo e fiquei imaginado que aquelas gatinhas deviam trocar assuntos e confidências femininas como “E aí, mano, qualé a treta?”, “Porra, brother vô partir a cara daquela maluca” e “Se liga, Mané, vamo tomá uma breja, quando eu terminar esse carburador?”.

E essas lindezas - além de siliconadas, agora anabolizadas - são um perigo pro equilíbrio social. O mercado de joias, por exemplo. Com o crescimento dos pescoços e braços vai provocar uma aumento da demanda de matéria-prima, inflação. Um colar delicado pra essas moças tem que ser uma corrente de bicicleta de ouro. Se não nem fecha. Se bem que joia é coisa de mulherzinha.

E assim a cadeia da meiguice é toda afetada: desisti das joias e comprei flores e um pote de mega mass. Ao entregar o mimo, posso dizer "pra minha bonequinha"? Só se for do Falcon.

Sem falar nas questões psicológicas. Como o macharedo vai resolver seu complexo de Édipo com esse perfil de beleza? Pro cara conseguir projetar a mãe nesse tipo de mulher, tem que ter sido amamentado pelo Schwarzneger.

Não, a coisa é muita séria. Esses dias vi que já temos inclusive as musas do MMA, UFC. O Vale Tudo. É vale-tudo mesmo, amigo. Vou confessar que nem a mais mórbida curiosidade me permitiu abrir notícias sobre esses brotinhos. É que, sei lá, daqui a pouco se o cara começa a admirar essas formas, vai começar a fantasiar com as coxinhas do Roberto Carlos (aquele que abaixou pra ajeitar as meias em 2006) ou, por que não, com o bibelôzinho da Edinancy.

Sei lá, se o Pepeu dizia que ser um homem feminino não fere o lado masculino dele, acho que essas mulheres masculinas ferem um pouco a sua feminilidade – pelo menos como eu concebi. Claro, vivemos numa democracia, as mulheres tem o direito de fazerem o que quiserem. Mas os homens passam a ter o direito de, se numa balada uma mulher vier balançando os trapézios, exibindo os bíceps, naquele flanar sensual de estivador, o homem passa a ter o o direito de correr. Ou dizer que saiu pra dançar.

Pobre Vênus. Está sendo trocada por um novo ideal de beleza grega: a mulher apolínea. Mas vou parar de falar, que eu tenho que lavar a louça.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Por Causa da Gol: Linhas Aéreas Inteligentes pra Chuchu

Como diria um letrado primo meu da fronteira, Chê-loco (aliás, sugestão de nome pra uma churrascaria com influências francesas, ou um bistrô com espeto corrido: Chez loco, mas estou me desviando do assunto. Vamos sair desses parênteses), pois, Chê-loco, tem umas coisa que não me sai da cabeça, voltimeia penso nela. São umas questões da Gol, linhas aéreas (pra lá de) inteligentes. Deixa eu me explicar, começando quase do começo.

É que, por questões burocráticas pra obtenção de visto pra Portugal – que eu levaria 90 dias, três vias e dezessete assinaturas autenticadas pra explicar –, quando vim pra cá pra terrinha, em vez de comprar uma passagem de volta pra uma data depois do final do meu curso, eu era obrigado a comprar um ticket com data de retorno pra, no máximo, 120 dias da expedição. Uai, diria um amigo meu americano que morou em Minas. E eu morro de vontade de explicar, mas não sei até agora fazer isso. Bom, fato é que, dadas as regras, o negócio foi catar as passagens mais baratas possíveis, uma vez que, chegando cá, depois de me darem um cartãozinho de residência, eu poderia e teria (se não quisesse largar o curso) que remarcar o retorno, marchando umas taxinhas de alteração no bilhete. Então, mergulhei nas entranhas dos sites de passagem, e tirei lá do fundo uma supercombinação que incluía um trecho POA/SP e SP/POA, hiperpromocional, tipo dá-me-dos, oferecimento da gloriosa Gol, linhas aéreas inteligentes é pouco, rapá, os caras manjam muito.

Pois então, agora em janeiro, todo legalizado por aqui, tinha esta missão: remarcar tudo, antes que vencessem as datas. O trecho Lisboa/SP, tudo certinho, a facada prevista de taxa, já tava anestesiado, belezinha. Aí veio o contato com a nossa Gol, linhas aéreas inteligentes e estudiosas do assunto. E foi aí – e sempre que lembro disso – que eu pensei: quando eu crescer, quero ser dono duma Gol. Ou mais: não dá pra entender como é que, vira e mexe, quebra companhia aérea nesse mundo. Não, Suposto, não estudei administração, não sei o preço do combustível, nem como a crise europeia afeta a aviação. Sim, Suposto, sou leviano. Mas não seja chato, cara. Lê e vê se não faz sentido: eu já imaginava que, pelos parcos pilas desembolsados na passagem, ela deveria se classe z (minúsculo), sem nenhum direito, a não ser o de permanecer calado – vai ver foi por isso que me comuniquei por chat com a Gol, linhas aéreas inteligentes pra cacete, viu? Mas, consciente da minha presumível condição de indigente aéreo, contatei os caras e expliquei a situação. E eles, muito atenciosos, me disseram que, olha, de fato, senhor Reginaldo, o senhor não vai estar podendo transferir sua passagem porque o senhor esteve economizando. Justo. O barato que sai caro, coisa e tal. Daí eu perguntei se tinha mais alguma coisa a fazer. E ele me disse que eu ia ter que estar me apresentando, então. Daí eu repeti: meu caro, nesse dia, estarei a um oceano de distância de São Paulo, sem chances, não embarco mesmo. Feito? Beleza? Façamos assim: não quero mais a passagem, não quero nem meu dinheiro de volta, nem nada, tá? Preparava pra me despedir, quando surgiu A informação: ok, senhor Reginaldo, mas a sua tarifa não prevê cancelamento. Donde eu perguntei “E...?”. Então, o senhor vai ter que estar realizando o No Show (lógico, voo da Gol, linhas aéreas espertas, é sempre no show, no space, no nada), mas, retomando, eu teria que estar fazendo No Show e arcando com a MULTA do No Show. Opa-la-lá. Cumé que é, meu irmão? É isso mesmo, Suposto. Mesmo que o valor seja ridículo, acontece o seguinte em alguns casos da Gol, linhas aéreas inteligentes o caramba, eles são ge-ni-ais: comprou a passagem, paga, como manda o capitalismo. Voou, beleza. Não voou, paga mais um tantinho pra deixar de ser bobalhão. Por quê? : regras da casa. As letrinhas pequenas que a gente sempre diz que leu pra avançar no site.

Mas é por isso que eu pergunto, seu Suposto, como é que quebra uma empresa de aviação se dá pra inventar um inteligentíssimo recurso como esse? É como se eu fosse no espeto corrido, surge o Agenor com aquele espetão de cupim, eu digo pra ele Brigado, esse eu passo, mas chama ali o sujeito do coraçãozinho, e aí o Agenor, tranquilo, diz:
‒ Sim, senhor, cinco real.

O quê? É a Taxa de No Eat. Ou: comprei um carro à vista, fui atropelado indo buscar o dito e, infelizmente, fui pro beleleu antes de sentir o eau de carro novo. Aí minha família, na hora do testamento, descobre que eu deixei uma dívida na Wesley Car’s. Referente à Multa de No Drive. Confesso que acho a coisa mais esquisita do mundo. Tinha a certeza de que o que eu estava fazendo era semelhante a, por exemplo, comprar duas blusas, usar uma e devolver a outra pra loja intcata, nova, sem tirar do plástico, e sem pedir um tostão de volta. Ou seja, lucrem de novo com o produto. Sim, a dona Gol, linhas aéreas inteligentes somos nozes, eles são prêmio Nobel, poderia revender o meu rico lugarzinho – fora da taxa promocional – e embolsar mais uns trocos. Aliás, poderia não, deve tê-lo feito faceira, faceira. Então por que, meu deus, por quê? E o pior é que eu imagino que, se um dia alguém de lá me explicar, ainda vai me deixar com peso na consciência, que isso afeta toda a distribuição prevista de peso nas aeronaves, a aerodinâmica, ventos do norte; quando um desalmado como eu dá uma de Tim Maia e faz No Show, há todo um trabalho de recálculo emergencial de compensação pra salvar vidas. Essas medidas de segurança imprescindíveis como levantar os assentos dois milímetros antes da aterrissagem. Portanto, no show, show me the money.

E no final eu fico agradecendo a deus por ser faminto e nunca, até hoje, ter negado uma daquelas medonhas barrinhas de cereal da Gol. Agora, tenho quase certeza de que a aeromoça abriria uma caixa registradora e me cobraria mais alguns tostões. Taxa de No Desfeita.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Por Causa do Rascunho e do Inédito

Espécie de atualização pro Suposto Leitor: seguinte, meu chapa, uma pequena novidade não aqui, mas aqui, no glorioso Jornal Rascunho. Esse que é O jornal literário brasileiro resolveu publicar um conto meu (inédito até então) na edição de fevereiro. Pois, então, gostaria de fazer um convite e dar uma dica.

O convite é, se não tem acesso ao jornal impresso, acessa ali em cima onde diz "aqui, no glorioso Jornal Rascunho" e dá uma lida no conto Essa sobra de mim (é curtinho).

E a dica é: assina o Rascunho. Vale a pena. Grandes entrevistas, resenhas, publicações e ainda um estímulo a esse trabalho quixotesco e sensacional com mais de 11 anos de história. E custa só 75 pilas pra receber 12 edições no conforto do lar, doce lar. Bem, é isso.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Por Causa do Ora Supoisto Leitor

Ê, Suposto, sabe que desde que eu vim pra Portugal, vinha querendo descobrir e escrever sobre autores portugueses? Mas daí, desde as leituras da faculdade até lançamentos do Gonçalo M. Tavares e outras coisas que pintaram no caminho, tudo parecia me impedir de cumprir essa ideia. E as coisas continuam mais ou menos assim. Entonces mandei o idealismo longe e vim aqui falar de um livro de um português que acabei de ler. Não descobri o autor agora, conheço ele desde 2006 e já gostava muito. É o Mário de Carvalho, autor do sensacional Era bom que trocássemos umas ideias sobre assunto – se eu fosse tu, Suposto, ia ler esse livro agora.

Mas já que tu não foi e continuou aqui, deixa eu falar um pouquinho, coisa rápida, nada de resenha ou aprofundamento sobre Quando o diabo reza. Ganhei de Natal esse romance curto, novelinha, que é o livro mais recente do Mário de Carvalho. Além de ser um objeto lindo (palmas pra editora Tinta da China [que chega em março no Brasil]), é uma interessante leitura. Uma história de golpes que, em alguns momentos, lembra Os trapaceiros do Woody Allen e toda a família de filmes e livros de bandidos de araque. Mas com um molho especial: é construído todo em volta de tipos populares, gente normal, cotidiana, de Lisboa. Assim como os golpistas não são grandes coisas, nada perspicazes ou audazes, usam roupas falsificadas pra se apresentarem bem, a vítima também não tem nenhum glamour, um velhote dono de meia-duzia de farmácias, constantemente assediado pela ganância das filhas de vida mais ou menos. Um mundinho completamente mais ou menos, mas superestimado por todos, que se acham merecedores de melhores e mais nobres destinos. Isso contado com um esforço de linguagem muito interessante especialmente pra leitores brasileiros – e, talvez mais ainda pra brasileiros morando em Portugal. O registro, especialmente das falas dos personagens, busca reproduzir a fala das ruas lisboetas. Dá pra sentir o jeito rápido dos portugas do supermercado ou dos bares falarem a cada “Eu lembro-me, camandro”, “Viram bem? Morderam bem a cara do gajo” ou “Ena, pá, isso é tão difícil como varrer a Feira do Relógio como um pincel de Bioxene” que se espalham pelo texto dando cara aos personagens e também a uma malandragem lusa bastante nova pra mim e engraçada. É claro que, se o gajo quiser, pode ir mais fundo na história e na leitura. Pra além da diversão, do desafio de linguagem, Quando o diabo reza, até pelo título, não deixa de trazer o outro lado da moeda da piada: um mundo triste, feito de individualidade (ou melhor, egoísmo mesmo), onde não há possibilidades de sonhos compartilhados. Todo mundo acompanhado e sempre sozinho. Seja em família, seja no casamento, seja na mesa de bar. Mas, ah, daí eu começo a me contradizer nas minhas intenções nesse texto aqui. E, pra falar disso a sério, tem que virar resenha, citar, comparar e o caramba. E eu só quero recomendar. Quando a Tinta da China chegar ao Brasil, eis um bom livro, Suposto.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Por Causa do Suado Dinheirinho do Suposto Leitor

Opa, Suposto.

Dou uma passadela rápida por aqui só pra trazer uma novidadezita comercial. Chegam infomrações de que um dos meus livros, o Quero ser Reginaldo Pujol Filho, tá fazendo parte de uma superuperduperpromoção na Livraria Cultura. É a Seleção Literária. Descontos, coisa e tal. Mas, como imagino que o Suposto já tem o Quero Ser, completo a informação.

A Seleção Literária, na verdade, é um conjunto de 24 livros (8 da Não Editora, 8 da Dublinese e 8 da Arquipélago) com preços apetitosos até meados de fevereiro. Aproveita, rapá. Pode começar, clicando aqui.



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Por Causa do Ano Novo

Rápido como quem rouba, como diria o outro, como quem não quer nada: Suposto, tirando o ano, nada de novo por aqui. Mas no site da querida Palavraria, estamos lá, com uma cartinha pra Carla, Heron, Carlos & Cia, falando de pães de queijo, livrarias que se chamam Ler Devagar e por aí e coisa e tal. Te manda pra cá. E, no Loiras de Bigodes, apresento algunas cervezitas bebidas durante uns diazitos agradáveis por Barcelona. Se quiser conferir, vai. É isso, feliz ano novo.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Por Causa das Estatísticas

Rapaz, acho que o blogue que eu peguei no wordpress era usado, de segunda mão – pra falar a verdade, quarta, quinta, Variant 62 em bom estado. Não, não que esteja dando problema, não apaga pra subir na lomba (o que seria uma lomba prum blogue?), não aquece o radiador (demais fazer metáforas nonsense), ele funciona bem, vai que é um Dodge.

Tá, então donde é que tu tirou isso, me olha o Suposto Leitor de revesgueio.

Não, é que, dia desses, sem nada pra fazer, tava fuçando nas estatísticas do Loira de Bigodes – os blogues tem esse serviço oswald-souziano , pra ver quantas pessoas acessaram, de onde vieram, do que se alimentavam, essas coisas fundamentais. Pois aí cliquei num linque que me mostraria as estatísticas específicas de um post específico e wow: abriu uma tabela mais velha do que eu. Uma tabela, a la Excel que me oferece a possibilidade (fantástica, necessária) de observar todos os acessos do post específico entre hoje e o ano de 1970. Mas vem cá, em 1970 a internet devia ser preto e branca.

Ó, o lapso espaço-tempo da dona internet

Mas que desperdício de pixel.

Primeiro, fiquei pensando que isso deve ser um trote que os caras dão no estagiário do wordpress. O guri espinhento chega lá no escritório e os caras dizem: ó, precisamos de alguém que consiga fazer uma tabela pra mostrar os acessos dos nossos blogues desde 1900 (na verdade o guri ainda tá programando e eu vi uma versão beta – e os veteranos tão rindo dele). O que seria o próximo trote: criar tudo o que fica atrás da tela dos blogues?

Sei lá.

Mas na verdade acho que isso pode ser um recado, um lembrete dessa mania da internet (sim, tratá-la-ei como uma pessoa a partir de agora) de achar que é coisa mais importante da nossa vida, que nos pegou no colo, que sempre esteve lá quando a gente precisou dela, seja no passeio do colégio pro parque Siant Hilaire, seja no nosso primeiro porre, a internet sempre existiu. Talvez seja até um ato falho da internet. Ups, eu disse 1970? Jurei que tinha falado 2000... é parecido, né, mil-no-ve-cen-tos e se-ten-ta, dois-mil...

Que parecido o que, dona internet? 1970 e anos 2000 só se parecem nas modas que ficam voltando e em ser uma década porcaria pro meu time, o Grêmio. Não vem com essa. Aliás, olha aqui, ó, internet, o tiro saiu pra culatra. Quando vi aquela tabelinha fui pensando, mas, pô, não tinha internet (nem Reginaldo) nos anos 70. Nos 80 e nos 90 eu vivia muito bem sem ti. Com minha Barsa, a revista Descobrir, as Placar, o vídeo game, o Master e o telefone fixo, vou te dizer o seguinte: eu vinha me virando muito bem. E tenho dito.

Quer dizer, sabe, suposto, depois de escrever isso, fiquei com um cutuco: a próxima vez que eu acessar uma dessas estatísticas, periga vir uma tabela desde o ano 1 d.C. Vai ser a internet mordida, querendo me deprimir, mostrando que há mais de dois milênios a história se repete: ninguém, além do Suposto, acessa meu blogue.