quinta-feira, 10 de junho de 2010

Por Causa do Sumiço, da Copa e de Canoas

Andei sumido, eu sei, Suposto Leitor. Se foi por causa da copa? Também. Mas não a copa do mundo, lá na África do Sul. Sim, por causa da Copa Gaúcha de Literatura. Que diabos é isso? Ah, é um idéia do Rodrigo Rosp, inspirada na Copa Brasileira de Literatura. É um torneio entre livros. Sim, livros divididos em grupos, disputando jogos para chegar a grande final. E como é que livro joga. Simples, Suposto, chama-se um juiz, que é o sujeito que vai ler dois livros, resenhar e comparar as obras e atribuir um placar. Dá pra entender melhor no site da função.

Pues bem, aí é que eu entrei. Sou um dos juízes da peleia e esse é um dos motivos pelos quais ando longe daqui. Mas logo, logo, vou avisar que a data da minha partida.

Enquanto isso, faço aquela agendinha pra avisar que, semana que vem, vou duas vezes a Canoas, participar da Feira do Livro de lá que não para de crescer. Confere a programação aqui. E aqui, a minha programação:
14 de junho, segunda às 19h30: faço um debate papo com o Rafael Jacobsen sobre o trabalho de criação no conto e no romance. A entrada é franca e conversa acontece no Auditório Raquel de Queiroz, na Praça da Bandeira.

19 de junho, sábado às 15h: aí é uma mesa com o Charles Kiefer e o Rodrigo Rosp sobre mercado editorial e afins. A entrada é franca e também será no Auditório Raquel de Queiroz, na Praça da Bandeira.

Bueno, Suposto confere o Gauchão de Literatura e, se puder, aparece lá em Canoas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Por Causa da Berda na Molsa

Lembram da história do botão vermelho, da guerra fria, do ai meudeusdocéu se alguém deixa o copo de café sobre o botão vermelho e disparam os mísseis nucleares, lembram? Eu não lembro, nasci quando a guerra fria já amornava. Mas todo mundo sabe dessa paranóia, o mundo a mercê de um cotovelo descuidado, podendo virar pó porque um russo engraçadinho disse “pensa rapidoviski”, jogou uma bola pro amigo, o amigo tava distraidoviski e a bola bateu no botão e bumzovsky, todos desaparecemos.

Pois, Suposto Leitor, esses tempos estão de volta.

Não, não a guerra fria, meu chapa. Mas o medo do botão errado, na hora errada. Não viu as notícias da despencada das bolsas ontem? Se não viu, eu te conto, ou melhor, transcrevo o interessante trecho do botivo, digo, motivo, da queda:

(...) até que houve a queda brusca, de cinco minutos, na Bolsa de Nova York. (...) O mergulho poderia ter começado pelo erro de um corretor, aparentemente do Citigroup, que, em vez de teclar a letra “m” de milhão, apertou a “b” de bilhão. A ordem de venda onde aparece o suposto erro pode ter sido sobre ações da empresa Procter & Gamble, que recuaram imediatamente mais de 25%.

Tchê, deu pra entender isso? Hoje em dia a gente já sabe que vive que nem dominó por causa da globalização, das bolsas, da queda do muro de Merlim, digo, Berlim, etecétera e tal, que se derrubarem uma pecinha lá na Cracóvia a coisa vem caindo até aqui.

Mas o que eu não sabia é que a coisa é tão, tão, mas tão sutil. Um operador da molsa, digo, bolsa, em Xangai aperta uma letra errada e bum! Bolsas abaixo, cabelos em pé, todo mundo louco, crise mundial.

Não tem “control z” no mercado financeiro?

Não tem aquela telinha do windows perguntando “Are you sure?”

Só que o mais catastrófico disso talvez seja constatar essa manalização, ou melhor, banalização das cifras, do lidar com dinheiro. Do jeito que as informações chegam pra gente, a sensação que dá é a de que vivemos no meio de um monte de Doctor Evils, o vilão do Austin Powers, sabe? E não pela vilania, pelas ganas de conquistar o mundo, não. Mas porque imagino um monte de carecas na bolsa vendendo one million dólares... ops, one billion dólares! Vai dizer, é tanto dinheiro circulando assim, sem ninguém tocar, sem ninguém contar, sem ninguém ver, sem faltar no final do mês, voando pra lá e pra cá, é tão não real e banal que nas matérias, nos investimentos nas conversas e na bolsa, se troca do milhão pro bilhão num ops, num não era isso que eu queria dizer. E a coisa fica por aí mesmo. A distância entre um milhão e um bilhão, em vez de novecentos e noventa e nove milhões, pode ser a tecla o ene que separa o bê do m no teclado. Só isso.

Sugiro que a Apple, a IBM, a Microsoft criem um teclado exclusivo pra bolsas de valores com as teclas hundred, thousand, million, billion e, quem sabe, trillion. Acho que quem lançar esse produto vai faturar milhões. Ou bilhões.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Por Causa da Mudança

Uma sensação que me bateu esses dias, que não chegou a virar um texto:

Arrumar os livros nas prateleiras da casa nova é lembrar da minha ignorância.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Por Causa de Festa


Opa, Suposto.

Se estiver em Porto Alegre de hoje a domingo, não perde a FestiPoa Literária. Pois é, hoje começa a 3ª edição da Festa Literária de Porto Alegre promovida pelo Fernando Ramos, do Jornal Vaia. Parece que tá maior e ainda melhor do que nas edições anteriores. Quer conferir a programação? Clica aqui. É certo que tu vai me encontrar assistindo alguns eventos. E também participando desses aqui:


- Dia 21 de abril: Quarta-feira: 20h: 20h: Lançamento da coletânea O melhor da festa volume dois (Casa Verde, 152 páginas, R$ 20,00) no Pé Palito (Rua João Alfredo, 577).

Trata-se do livro que reúne poemas, contos e crônicas inéditas dos 32 autores que participaram da FestiPoa do ano passado. Tem um conto meu aí.


- Dia 23 de abril: Sexta-feira: 20h30: Festa Sexta básica - dia do livro e do autor, no Zelig (Rua Sarmento Leite, 1086)

leituras e shows com escritores e músicos. Um deles sou eu.


- Dia 24 de abril: Sábado :17h30: Leitura “Desacordo ortográfico”, com Reginaldo Pujol Filho na Palavria (Rua Vasco da Gama, 165).

Eu, Xico Sá e Cardoso vamos ler alguns trechos da antologia Desacordo ortográfico organizada por mim.


Bueno, não perde, Suposto.

É tudo com entrada franca e coisa assim não tem todo dia nessa cidade.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Por Causa de Dias Raros

Pois decidi começar a falar aqui também dos livros que eu gosto. Digamos que eu esteja iniciando uma sessão, Recomendações Para Um Suposto Leitor. E por que isso?

Por causa de dias raros, como aqueles em que tu descobre na prateleira um livro comprado já há um tempo e não lido sabe-se lá por quê. Foi o que aconteceu com um volume de contos de título muito pertinente: Dias raros, de João Anzanello Carrascoza. 103 páginas que fazem jus ao título da capa, no mínimo, porque não é em qualquer dia que se abre um livro e, logo no primeiro conto, nas primeiras linhas, dá de frente com frases como (...)a manhã hesitava, uns cheiros de dia novo pairavam no ar(...); (...)coisa mínima para a maioria, ir de um aqui a um ali, costurar as margens do cá às do lá, mas para ele a raridade que raiava(...); ou (...)porque era uma hora enorme em sua vida. Frases dessas que criam minutos enormes na nossa vida de leitor, que já me bastariam, mas que faziam mais do que serem frases: compunham, junto com tantas outras, o conto Cidade-mundo que abre o livro do Carrascoza.

Cidade-mundo é um texto que, depois de ler pela primeira vez, reli, todo, em voz alta para a minha namorada. Não só pra mostrar a beleza da linguagem, mas também pela história de um menino que começa a se ver menino-homem no encontro com uma cidade-mundo. Coisa linda. Ainda mais porque para nos contar dessa cidade que um mundo para o menino, o autor faz de cada palavra um universo de significados para nós leitores.

Fosse isso e o livro já estava recomendado pra ti, Suposto Leitor. Mas tem mais. A começar pela unidade do livro, construída a partir do título e costurada pelo enredo das histórias. Adoro livros de contos com unidade, que buscam ser mais do que um pacote de biscoitos sortidos.

Dá pra dizer que o Carrascoza fez isso. Dá pra dizer que cada conto é um dia, um pedaço de um dia capaz de tornar uma data uma lembrança, um momento raro. Coisas que às vezes nem se vê no exato instante vivido – ou nunca, até. Mas que podem acontecer todos os dias. Como a história do menino de Cidade-mundo. Ou a de outro menino que vê outra realidadenuma viagem de caminhão com o pai. Também existe dias raros pelo poder que tinham de vir a ser. Como na visita surpresa do irmão à irmã ou nas entrelinhas do que não é dito entre mãe e filho, no conto Umbilical. Parece que Carrascoza vê e mostra, entre tantas coisas, que não é só o acertador da mega-sena quem vive um dia raro.

E faz isso bem demais, parecendo estar sempre na busca também da palavra, da frase rara, caprichando nos seus narradores. Há um exercício que aproxima Cortázar de um subúrbio paulista no já citado Umbilical. Também se percebe tintas da Clarice Lispector ou melodias que lembram gentes como o Lobo Antunes e outros grandes portugueses. Tudo em uma combinação inesperada, como tem que ser para fazer surgir o único. A combinação que compõe dias raros.

Se quiser te empresto, Suposto.
Ou clica na capa.


Livro: Dias raros
Autor: João Anzanello Carrascoza
Editora: Planeta

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Por Causa do Desacordo e do Luis Filipe Cristóvão

Haverá um Suposto Leitor em Portugal?

Espero que que sim.

Porque o DESACORDO ORTOGRÁFICO, antologia que eu organizei, reunindo Altair Martins, Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Luis Fernando Verissimo, Luís Filipe Cristóvão, Luandino Vieira, João Pedro Mésseder, Manoel de Barros, Maria Valéria Rezende, Marcelino Freire, Nelson Saute, Olinda Beja, Ondjaki, Patrícia Portela, Patrícia Reis, Pepetela, Reginaldo Pujol Filho, Rita Taborda Duarte, Rogério Manjate e Xico Sá SERÁ LANÇADA HOJE, 25/2/10 ÀS 22H (HORÁRIO DE PORTUGAL) EM PORTUGAL. O lançamento será pela editora Livro do Dia do Luis Filipe Cristóvão que resolver ser, mais do que autor da antologia, também editor. A função toda acontece na programação oficial do Correntes d'Escritas 2010, maior evento literário português.

E aí, Suposto, existem supostos d'além mar?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por Causa do Mosquito

Gente amiga, pois volto aqui por um motivo muito semelhante ao que inaugurou esse espaço há quase dois anos. Só que dessa vez não é um elefante que está incomodando muita gente. São os mosquitos.

Antes de qualquer coisa, preciso dizer o seguinte: tenho pavor de mosquito. Durmo com repelente na tomada, ventilador ligado, lençol, mosquiteiro e armadura pra me escapar desses bichinhos que ainda não disseram exatamente a que vieram.


Mas vieram, né?


E vieram tantos que hoje vi na TV uma notícia: pesquisadores americanos e ingleses descobriram um jeito de evitar que mosquitos nos tragam, além de zumbidos, doenças. Sério? Pra valer? Aumentei o volume pra conhecer esse novo repelente, esse campo de força, essa, sei lá, vacina?

Errei, Suposto. Sabe o que é que os sujeitos inventaram? Genes alterados. Aliás, um gene alterado, implantado no mosquito macho que vai fazer um zum-zum gostoso com a mosquita, transmite o gene alterado e daí o que acontece? Nove meses depois (eu sei, Suposto, é bem menos tempo, isso é uma brincadeira), mas nove-meses-de-mosquito depois, nasce um lindo mosquitinho sem asas. Isso, um mosquitinho aleijado, portador de necessidades especiais e não de asas. Pois dizem os doutores, em bom inglês, que assim os bichos vão ter mais dificuldades de voar pra nos picar e também vão ser mais facilmente envenenados.


Mas, jesus, que idéia é essa?


Imagina se esses moços resolvem acabar com a criminalidade? Fácil, um genezinho modificado ali, a turma começa a nascer sem mãos e, pronto, ninguém mais pode assaltar? Isso?


Já que era pra danar com a vida dos bichinhos não era melhor fazer um gene alterado que explodiria a fêmea na hora da fecundação? Ou que desenvolvesse nos mosquitos gosto por suco de beterraba em vez de sangue? Ou educação pra nos atacar acordados e, ainda assim pedindo licença, avisando que vai doer só um pouquinho?


E, antes que achem que eu gosto de mosquito, digo que não estou preocupado só com eles, me preocupo com a natureza como um todo. Os sapos vão enfrentar uma crise de obesidade com tanto mosquito de mão beijada. As aranhas vão ficar preguiçosas e vão parar de fazer teia. As lagartixas vão desaprender a subir nas paredes, porque os mosquitos não vão mais estar lá.


Rapaiz, se tem um troço que a Nena – minha professora de biologia no colégio, Suposto –, o Greenpeace e o WMF me ensinaram é que não se mexe assim na natureza, sem afetar cadeia alimentar, ciclos naturais e sei lá mais o quê.


Agora imagina resolver que um bicho, que há quinquilhões de anos voa, não voa mais? Ah, tá, macaco, não gosta mais de banana, castor vai ser banguela e galinha não põe mais ovo e não muda nada?


O que se diz é que a natureza é sábia e que tudo, tudo aí tá encaixadinho como um castelo de cartas. Tudo tem sua função, até o mosquito teimoso me enchendo o saco de noite. E, aliás, grandes coisas a gente não saber qualé a do mosquito no mundo. A gente não vive perguntando qual é o sentido da nossa vida?