terça-feira, 20 de abril de 2010

Por Causa de Festa


Opa, Suposto.

Se estiver em Porto Alegre de hoje a domingo, não perde a FestiPoa Literária. Pois é, hoje começa a 3ª edição da Festa Literária de Porto Alegre promovida pelo Fernando Ramos, do Jornal Vaia. Parece que tá maior e ainda melhor do que nas edições anteriores. Quer conferir a programação? Clica aqui. É certo que tu vai me encontrar assistindo alguns eventos. E também participando desses aqui:


- Dia 21 de abril: Quarta-feira: 20h: 20h: Lançamento da coletânea O melhor da festa volume dois (Casa Verde, 152 páginas, R$ 20,00) no Pé Palito (Rua João Alfredo, 577).

Trata-se do livro que reúne poemas, contos e crônicas inéditas dos 32 autores que participaram da FestiPoa do ano passado. Tem um conto meu aí.


- Dia 23 de abril: Sexta-feira: 20h30: Festa Sexta básica - dia do livro e do autor, no Zelig (Rua Sarmento Leite, 1086)

leituras e shows com escritores e músicos. Um deles sou eu.


- Dia 24 de abril: Sábado :17h30: Leitura “Desacordo ortográfico”, com Reginaldo Pujol Filho na Palavria (Rua Vasco da Gama, 165).

Eu, Xico Sá e Cardoso vamos ler alguns trechos da antologia Desacordo ortográfico organizada por mim.


Bueno, não perde, Suposto.

É tudo com entrada franca e coisa assim não tem todo dia nessa cidade.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Por Causa de Dias Raros

Pois decidi começar a falar aqui também dos livros que eu gosto. Digamos que eu esteja iniciando uma sessão, Recomendações Para Um Suposto Leitor. E por que isso?

Por causa de dias raros, como aqueles em que tu descobre na prateleira um livro comprado já há um tempo e não lido sabe-se lá por quê. Foi o que aconteceu com um volume de contos de título muito pertinente: Dias raros, de João Anzanello Carrascoza. 103 páginas que fazem jus ao título da capa, no mínimo, porque não é em qualquer dia que se abre um livro e, logo no primeiro conto, nas primeiras linhas, dá de frente com frases como (...)a manhã hesitava, uns cheiros de dia novo pairavam no ar(...); (...)coisa mínima para a maioria, ir de um aqui a um ali, costurar as margens do cá às do lá, mas para ele a raridade que raiava(...); ou (...)porque era uma hora enorme em sua vida. Frases dessas que criam minutos enormes na nossa vida de leitor, que já me bastariam, mas que faziam mais do que serem frases: compunham, junto com tantas outras, o conto Cidade-mundo que abre o livro do Carrascoza.

Cidade-mundo é um texto que, depois de ler pela primeira vez, reli, todo, em voz alta para a minha namorada. Não só pra mostrar a beleza da linguagem, mas também pela história de um menino que começa a se ver menino-homem no encontro com uma cidade-mundo. Coisa linda. Ainda mais porque para nos contar dessa cidade que um mundo para o menino, o autor faz de cada palavra um universo de significados para nós leitores.

Fosse isso e o livro já estava recomendado pra ti, Suposto Leitor. Mas tem mais. A começar pela unidade do livro, construída a partir do título e costurada pelo enredo das histórias. Adoro livros de contos com unidade, que buscam ser mais do que um pacote de biscoitos sortidos.

Dá pra dizer que o Carrascoza fez isso. Dá pra dizer que cada conto é um dia, um pedaço de um dia capaz de tornar uma data uma lembrança, um momento raro. Coisas que às vezes nem se vê no exato instante vivido – ou nunca, até. Mas que podem acontecer todos os dias. Como a história do menino de Cidade-mundo. Ou a de outro menino que vê outra realidadenuma viagem de caminhão com o pai. Também existe dias raros pelo poder que tinham de vir a ser. Como na visita surpresa do irmão à irmã ou nas entrelinhas do que não é dito entre mãe e filho, no conto Umbilical. Parece que Carrascoza vê e mostra, entre tantas coisas, que não é só o acertador da mega-sena quem vive um dia raro.

E faz isso bem demais, parecendo estar sempre na busca também da palavra, da frase rara, caprichando nos seus narradores. Há um exercício que aproxima Cortázar de um subúrbio paulista no já citado Umbilical. Também se percebe tintas da Clarice Lispector ou melodias que lembram gentes como o Lobo Antunes e outros grandes portugueses. Tudo em uma combinação inesperada, como tem que ser para fazer surgir o único. A combinação que compõe dias raros.

Se quiser te empresto, Suposto.
Ou clica na capa.


Livro: Dias raros
Autor: João Anzanello Carrascoza
Editora: Planeta

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Por Causa do Desacordo e do Luis Filipe Cristóvão

Haverá um Suposto Leitor em Portugal?

Espero que que sim.

Porque o DESACORDO ORTOGRÁFICO, antologia que eu organizei, reunindo Altair Martins, Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Luis Fernando Verissimo, Luís Filipe Cristóvão, Luandino Vieira, João Pedro Mésseder, Manoel de Barros, Maria Valéria Rezende, Marcelino Freire, Nelson Saute, Olinda Beja, Ondjaki, Patrícia Portela, Patrícia Reis, Pepetela, Reginaldo Pujol Filho, Rita Taborda Duarte, Rogério Manjate e Xico Sá SERÁ LANÇADA HOJE, 25/2/10 ÀS 22H (HORÁRIO DE PORTUGAL) EM PORTUGAL. O lançamento será pela editora Livro do Dia do Luis Filipe Cristóvão que resolver ser, mais do que autor da antologia, também editor. A função toda acontece na programação oficial do Correntes d'Escritas 2010, maior evento literário português.

E aí, Suposto, existem supostos d'além mar?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por Causa do Mosquito

Gente amiga, pois volto aqui por um motivo muito semelhante ao que inaugurou esse espaço há quase dois anos. Só que dessa vez não é um elefante que está incomodando muita gente. São os mosquitos.

Antes de qualquer coisa, preciso dizer o seguinte: tenho pavor de mosquito. Durmo com repelente na tomada, ventilador ligado, lençol, mosquiteiro e armadura pra me escapar desses bichinhos que ainda não disseram exatamente a que vieram.


Mas vieram, né?


E vieram tantos que hoje vi na TV uma notícia: pesquisadores americanos e ingleses descobriram um jeito de evitar que mosquitos nos tragam, além de zumbidos, doenças. Sério? Pra valer? Aumentei o volume pra conhecer esse novo repelente, esse campo de força, essa, sei lá, vacina?

Errei, Suposto. Sabe o que é que os sujeitos inventaram? Genes alterados. Aliás, um gene alterado, implantado no mosquito macho que vai fazer um zum-zum gostoso com a mosquita, transmite o gene alterado e daí o que acontece? Nove meses depois (eu sei, Suposto, é bem menos tempo, isso é uma brincadeira), mas nove-meses-de-mosquito depois, nasce um lindo mosquitinho sem asas. Isso, um mosquitinho aleijado, portador de necessidades especiais e não de asas. Pois dizem os doutores, em bom inglês, que assim os bichos vão ter mais dificuldades de voar pra nos picar e também vão ser mais facilmente envenenados.


Mas, jesus, que idéia é essa?


Imagina se esses moços resolvem acabar com a criminalidade? Fácil, um genezinho modificado ali, a turma começa a nascer sem mãos e, pronto, ninguém mais pode assaltar? Isso?


Já que era pra danar com a vida dos bichinhos não era melhor fazer um gene alterado que explodiria a fêmea na hora da fecundação? Ou que desenvolvesse nos mosquitos gosto por suco de beterraba em vez de sangue? Ou educação pra nos atacar acordados e, ainda assim pedindo licença, avisando que vai doer só um pouquinho?


E, antes que achem que eu gosto de mosquito, digo que não estou preocupado só com eles, me preocupo com a natureza como um todo. Os sapos vão enfrentar uma crise de obesidade com tanto mosquito de mão beijada. As aranhas vão ficar preguiçosas e vão parar de fazer teia. As lagartixas vão desaprender a subir nas paredes, porque os mosquitos não vão mais estar lá.


Rapaiz, se tem um troço que a Nena – minha professora de biologia no colégio, Suposto –, o Greenpeace e o WMF me ensinaram é que não se mexe assim na natureza, sem afetar cadeia alimentar, ciclos naturais e sei lá mais o quê.


Agora imagina resolver que um bicho, que há quinquilhões de anos voa, não voa mais? Ah, tá, macaco, não gosta mais de banana, castor vai ser banguela e galinha não põe mais ovo e não muda nada?


O que se diz é que a natureza é sábia e que tudo, tudo aí tá encaixadinho como um castelo de cartas. Tudo tem sua função, até o mosquito teimoso me enchendo o saco de noite. E, aliás, grandes coisas a gente não saber qualé a do mosquito no mundo. A gente não vive perguntando qual é o sentido da nossa vida?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Por Causa do Alarme

Pois ontem eu tive uma experiência religiosa. Numa loja de alarmes para carros. Não, não tive nenhuma visão ou presenciei a multiplicação dos bips. Nada assim. Foi uma experiência sobre a qual eu já tinha lido num ensaio do Cesar Aira no livro Pequeno manual de procedimentos. É uma experiência que na verdade todos nós vivemos todos os dias, inclusive tu, Suposto Leitor.

Qual é ela?

Explico:

Acontece que eu cheguei lá na loja pra consertar o alarme do meu carro, que tinha despirocado. Pedi pro sujeito ver o que estava acontecendo. Ele olhou, fuço, abriu painéis, disparou alarme, parou alarme, fez uma cara de quem perdeu um gol feito e me mostrou uma plaquinha dessas de condutores e disse:
- É, queimou o relé do (Rebimboca? Parafuseta? Distrático?) e deu um curto no (Manetel? Bistreque?).

Eu fiz cara de que não precisava de tradutor e perguntei Ah, então a gente troca o relé?
- Não, esse relé não dá pra trocar.

Ah, que estúpido, claro ESSE relé não dá pra trocar. Então como é que faz?
- Daí a gente vai ter que trocar todo alarme.

E eu concordei com ele, claro, troquemos o alarme.

Onde está a experiência religiosa? Na nossa relação com a tecnologia, com a ciência nos dias de hoje. O troço se especializou tanto, correu tanto na nossa frente que a coisa ficou meio como Deus, ou a gente acredita, ou não acredita. Mas não entende, não explica e nem tenta.

Assim como o carinha me disse que tinha que trocar o alarme, se ele me dissesse que eu tinha que rezar 13 pai-nossos e 17 ave-marias pra coisa funcionar, eu faria. Porque eu não entendo nada disso. E nunca vou entender. Então a gente acredita na palavra dos papas, dos padres, dos bispos da tecnologia, os únicos que entendem os mistérios do funcionamento do nosso mundo, não é?

Qual é a diferença entre reinicie o computador e acenda uma vela?

Pra mim, nenhuma, desde que as coisas continuem funcionando, não é?

Eu tô num ponto de ignorância científico-tecnológica que é capaz de eu chegar na oficina, e o cara me dizer, olha, esse barulhinho que o teu carro tá fazendo, é batata, tem que comprar um novo. Por que não? O cara é um ungido com os segredos da injeção eletrônica, o mecânico é meu pastor e nada me faltará.

Sei lá eu.

Só sei que é engraçado pensar que de tanto tentarem explicar o mundo e as coisas, o troço acabou ficando mais misterioso do que era um trovão pro meu avó Australopitecus Pujol.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Por Causa da Harmonização

Dizem os especialistas em bons anos que 2010 vem com notas de couro, mato, papel timbrado e um toque muito pronunciado de twairithan – uma fruta típica da Tailândia perfeita para harmonizar com vinhos brancos do norte da Suécia.

O Suposto Leitor, além de estar perguntado Ah, ele tá vivo, deve tar questionando, mas que bobagem é essa?

Eu faço a mesma pergunta, Suposto.

Que é por esse caminho que as coisas tão indo. Um tempo atrás li uma matéria na Veja que falava dos enochatos. Essa galera que faz um cursinho de degustação de vinho e depois vai pra restaurante, pra janta com amigos, fazer bochecho com vinho que nem se fosse Cepacol e, como se a bebida tivesse gás, depois ficam meia-hora arrotando aromas, notas, bouquets, frutas vermelhas e o carvalho a quatro.

Bueno, eu achava que essa matéria em revista de grande circulação e coisa e tal era um indício de que as coisas tavam tomando seu prumo. Nem toda hora é hora pra isso, o ridículo da situação tava aparecendo, o enólogo estava nu.

Mas não.

Errei.

Ao longo dos últimos tempos, comecei a me deparar com o advento da palavra barista. Que não tem nada a ver com bar. Mas com café. São os caras que sabem preparar bons cafés. E, se tem quem prepare bons cafés, é preciso apreciadores de bons cafés. Pronto, blends, discussão sobre o tipo de solo, amargor e notas de suor de gavião, de carne de lhama e de pimenta da Mongólia começaram a acompanhar mais o cafezinho do que pão com manteiga.

Eu já tava passado com isso.

Por isso, pra refrescar as idéias, fui tomar uma cervejinha. Pedi uma, e o cara do bar me perguntou se eu preferia uma red ale, uma stout, um lager ou uma pilsen. Falei que Serra Malte tava bom e um bolinho de bacalhau pra acompanhar. O cara torceu o nariz pra mim, e eu perguntei Que foi, que é, não tem bolinho? Não, não é que não tinha bolinho é que a minha pedida não tava de acordo com uma boa harmonização, que eu ia perder toda a profundidade de sabores que aquela cerveja extra poderia me proporcionar, mas que, bem, talvez com uma pimentinha e uma mostarda, eu poderia conseguir uma harmonização por contraste.

Enquanto bebia um gole da cerveja e sentia notas de bacalhau nela – um fiapo do peixe tinha ficado no meio dos dentes –, pensei nessa história toda e comecei a achar que nos roubaram o direito do simples gostar ou não gostar, já viu? Eu gosto de vinho tinto com peixe. Deusulivre, rapaz!, peixe, dependendo do peixe, pede um sauvignon blanc. Tinto jamais!

Não, peixe só pede uma coisa: minhoca. Eu peço peixe com vinho tinto e pronto.

O Suposto leitor, a essa altura, deve estar dizendo que eu sou radical, patatipatatá.
Mas eu discordo. Acho que radicalização, Suposto, é esse troço de ter que ser apreciador de tudo.

Desse jeito daqui a pouco a coisa degringola de vez e o meu tio gaudério vai ter que queimar as bochechas, bochechando o mate quente, pra poder dizer:
– Mas tchê, baita erva esta, sinto notas de costelão doze horas, arroz de carrateiro e beijo de chinoca, bagual! Este chimarrão harmoniza bem que é uma beleza com uma rapadura de Santo Antonio da Patrulha ou com uma cuca de uva.
Ou vai ter neguinho, depois de correr, fazer exercício, pensando que água que vai tomar. Hmmmm, depois da academia, tomo Perrier ou São Lourenço. Depende. Ume pedida segura é a Xiangsoan, uma água de poço do interior chinês, com acidez elevada que faz uma harmonização perfeita com barrinha de cereal de castanha. Light.

Já eu pedi mais uma cerveja. Agora com um pastel.

domingo, 8 de novembro de 2009

Por Causa do Sumiço


Suposto, sei que desapareci. Sei que é difícil ser o suposto leitor de quem não escreve. Mas aqui vai a explicação pra essa longa ausência e uma ótima oportunidade para continuar sendo meu suposto leitor e também do Altair Martins, Cardoso, Gonçalo M. Tavares, João Pedro Mésseder, Luandino Vieira, Luis Fernando Verissmo, Luis Filipe Cristóvão, Manoel de Barros, Marcelino Freire, Maria Valéria Rezende, Nelson Saúte, Olinda Beja, Ondjaki, Pepetela, Patrícia Portela, Patrícia Reis, Rogério Manjate, Rita Taborda Duarte e Xico Sá. É o DESACORDO ORTOGRÁFICO, antologia que eu organizei e que reúne essa turma toda aí.

E o seguinte: o DESACORDO ORTOGRÁFICO SERÁ LANÇADO NA SEXTA, 13 DE NOVEMBRO, ÀS 19h. Vai ser no Complexo Master (praça Garibaldi 46, aqui em PoA). E eu vou estar por lá, o Altair Martins também, o Cardoso e o Ondjaki idem. E tu, Suposto? Aparece lá, meu amigo.