segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Por Causa da FLIP 3

Vamos lá, antes que esses textos não te interessem mais, Suposto Leitor.
Aqui vai a 3ª coluna que publiquei sobre a FLIP 2010 no site da revista Aplauso.

NEM FESTA, NEM LITERÁRIA

É recorrente a FLIP organizar mesas com gente oriunda de lugares conflituosos ou envolto em polêmicas (Amoz Oz, de Israel junto com Nadine Gordimer, da África do Sul; o palestino Mourid Barghout; a mesa com autores chineses no ano passado).

Nesse ano, os nomes da vez eram o israelense, A.B. Yehoshua, escritor radicado há tempos nos Estados Unidos e a escritora iraniana, também professora, também radicada nos Estados Unidos, Azar Nafisi.

Muito pode-se falar dessa mesa em si e dessa mesa como conceito. Como conceito, o que acontece é que, apesar dessa bonita democracia, judeus e muçulmanos reunidos pelo poder da literatura na mágica Parati, a gente pode pensar que a coisa não é tão democrática assim não. Como diria o professor, Senão vejamos: o autor israelense, apesar de judeu e israelense, não vem defender a expulsão dos palestinos de Jerusalém, pode até ter combatido em Golan, pode até defender que os judeus devam morar em Jerusálem - como faz Yehoshua -, mas no final das contas acredita na negociação, prega a paz, etecétera, etecétera e etecétara. Da mesma forma, o lado árabe da coisa, não vem dizer Nós chegamos antes de vocês, não vem defender a Al Qeada, não vem defender belicosamente a questão palestina ou afegã.

O que quero dizer é que simbolicamente a coisa pode até funcionar. Mas como debate, como provocação intelectual, como revisão de argumentos e conceitos, como choque de verdades pré-prontas, não vejo grandes méritos. Nem sei se é o papel da FLIP fazer isso, gerar tensão e polêmica. Mas que não gera, não gera. Porque apesar das certidões de nascimento, o que temos, via de regra, são duas pessoas muito talentosas, muito inteligentes, muito perspicazes, defendo o que todo mundo, aqui em Parati, quer que se defenda: a Paz, o fim dos regimes totalitários e teocráticos, coisa&tal.

Como espetáculo, bárbaro. As tiazinhas cariocas, os estudandes "meio-intelectuais, meio de esquerda"*, os desavisados, aplaudem, assobiam, dão risadas das boas frases, dos olhares profundos, das grandes tiradas sobre a questão judaico-palestina e seus assuntos periféricos. Mas no frigir dos ovos (nunca entendi essa expressão), mas no frigir dos ovos tá todo mundo batendo em bêbado. Ou em nada. Dificilmente surge ou surgirá o contra-ponto, a resposta que ninguém quer ouvir. Talvez a única excessão nesse ano tenha sido quando Azar Nafisi fazia mais alguma afirmação contra Mahmoud Ahmadinejad e, lá pelas tantas, Yehoshua, contestou a iraninana lembrando ela de que também não podemos ficar só apedrejando o governo e absolvendo a população como se fossem todos manipulados. Lembrou, o israelense, que há muitas pessoas inteligentes, articuladas, que compram os regimes totalitários, as soluções bélicas, as ortodoxias. Há gente com um bom aparato intelectual defendendo as ideias que nós não defendemos foi o que me pareceu que ele quis dizer. Interessante, um momento de reflexão e não de puro aplauso histérico e concordativo.

Mas, pois bem, dito tudo isso, ainda fica uma questãozinha sobre essa mesa do Oriente Médio, tanto no seu nível conceitual, quanto no nível específico: e a literatura?

Não estamos na Festa LITERÁRIA Internacional de Parati?

Pues, pra mim, que venho ver debates literários, discussões sobre forma, estilo, técnicas, conjunto da obra, me parece que a literatura fica na periferia nessa hora. Todo mundo entra contaminado pelo acordo de paz, pela burka, pelos conflitos, pela solução negociada. Do mediador aos convidados, passando pelo público e por suas perguntas, o foco da mesa vai longe, longe, da obra dos autores, por exemplo. Como diria o profeta, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que se fazer uma pergunta sobre um trecho dos autores nessa mesa.

Que eu tenha registrado, houve uma fala do Yehoshua em que ele refletiu sobre literatura no geral, sua importância pedagógica, de fazer refletir, gerar pensamento. Crê ele que isso não acontece mais hoje, que o pós-modernismo não nos faz tocar os grandes valores da humanidade, tampouco os grandes dramas. Segundo ele, os grandes escritores do século 20, estão cronologicamente localizados na primeira metade do período. Depois disso, "psicologia" e "relativização" tomaram conta das páginas e foi pro saco a especulação do humano, o assombro, o espanto e a descoberta de nós mesmos e do outro através dos livros que lemos. Será?

Não sei.

Porque isso ficou perdido entre uma pergunta sobre o apedrejamento da Sakineh Mohammadi no Irã e outra sobre a proibição do uso da burka na França. Sim, aconteceu ainda algum momentito em que Nafisi exaltou o poder da literatura, falando relativamente ao seu livro Lendo Lolita em Teerã, obra que revive os grupos de leitura de meninas iranianas que secretamente descobriam obras como a de Nabokv em Teerã nos anos 80.

Mas, no todo, assim como nas outras mesas com escritores-de-países-em-pauta que já assisti, a literatura cede espaço para o tema polêmico do momento que envolva as origens dos escritores convidados. Então, o mais que tivemos foram defesas da democracia, frases fortes contra Ahmadinejad, ironia e argumentos muitos contra o apedrejamento de mulheres no Irã, acabou sobrando muito pro Lula, seu companheirismo e em-cima-do-murismo em relação ao Irã, e aplausos, aprovações e muito entusiasmo de todos na platéia. E ficamos por aí.

Tá, não se falou quase de literatura. Mas acho que também vale pensar no seguinte: há uma questão literária (ou periférico-literária) aí envolvida que não tinha me ocorrido ainda: a posição do escritor como intelectual a ser ouvido, como pensador do mundo e dos nossos tempos, como voz relevante. Talvez esse lado da atividade literária saia fortalecido de uma hora e meia como essa. Diz-se muito que os escritores perdem cada vez mais essa relevância pra sociedade, esse papel de fonte de consulta sobre as verdades e polêmicas. Bem, numa mesa como essa, o que importa, mais do que o livros, são as posições e as ideias dos autores.

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Não dá pra deixar de falar da nova tradição da FLIP: a mesa dos quadrinhos. Depois do Neil Gaiman, do Grampá + Rafael Coutinho + Fabio Moon&Gabriel Bá, ontem foi a vez do Robert Crumb e do Gilbert Shelton.

Mais uma mesa não literária.
E antes que me ataquem, calma: não estou tentando negar o caráter literário que vem se atribuindo aos quadrinhos nos últimos tempos. Calma, sequer tenho condições de fazer isso, não sou conhecedor do asunto, não posso me meter a falar disso.

É que a mesa não foi lietrária, não foi sobre quadrinhos, não foi é nada. Pelo menos pra mim que não estava lá tietando o Crumb e o Shelton. E, em minha defesa, digo: ano passado uma das minhas mesas preferidas foi a dos quadrinhos. Os caras leram trechos, mostraram no telão, discutiram suas obras e a dos outros, se divertiram.

Nesse ano, rapaz, nada.

Acho que muito por conta da escolha equivocada do mediador: Sérgio Dávila. Credenciais do homem para estar lá: editor da Folha, correspondente internacional, único brasileiro a cobrir a guerra do Iraque de Bagdá, prêmio Esso... tá, e uma carteirinha do fã-clube do Crumb? Editou um fanzine na adolecência? Hein?

Sem-gracisse total: deixou o Crumb fazer o que ele queria - não fazer nada -, fez perguntas de release (gosta da mulheres brasileiras? Verdade que você veio porque sua mulher obrigou?), deixou a esposa do Crumb - quando ela foi convidada a subir ao palco - tomar conta da mesa e quase ignorou o Gilbert Shelton que parecia disposto a falar, contar histórias.

Era uma mesa que envolvia muitas expectativas. Poderia ser polêmica, esquisita, divertida e não foi sequer o básico: informativa. Ano passado, saí da mesa do Grampá e do Coutinho com a minha ignorância sobre quadrinhos um pouco diminuída. Neste ano, nem perto disso.

As palmas dessa mesa ficam pro depois dela: voltando da janta, com a minha namorada, passamos pela tenda de autógrafos. Quase meia-noite. O Gilbert Shelton, velhinho de barba e cabelo branco, dublê de Papai Noel, ainda estava lá três horas depois, com a esposa e agente literária de um lado, copo de cerveja do outro, autografando livros pra quem quisesse, com direito a um desenho feito na hora. Gente boa.

*quem inventou essa expressão foi o Antonio Prata.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Por Causa da FLIP 2

Me atrapalhei um pouco lá por Parati, depois as férias seguiram e, pois é, e todos aqueles textos que eu prometi colocar aqui, onde foram parar? Calma, já estão devidamente publicados lá no site da revista Aplauso e agora, aos poucos vou trazendo praqui. Resquícios da FLIP. Bueno, já demorei demais, então chega de conversa e vamos a minha segunda coluna sobre a Festa Literária Internacional de Parati.

A QUESTÃO DO PAPEL DOS LIVROS

Uma das coisas que eu estava mais curioso pra ver aqui em Parati era a tal discussão sobre o futuro do livro, esse lugar comum que tem perseguido a literatura nos últimos tempos mais do que o bucólico cheiro de terra molhada. Estava curioso pelo tema em si, mas também por essa situação que lembra um pouco a lógica da vacina: injetar o veneno, o vírus, no organismo pra criar anticorpos e defesas contra a doença. Digo assim: trouxeram pra uma festa literária, de celebração dos livros, de filas de autógrafos, duas mesas pra discutir se um dos motores dessa coisa toda não tá pifando. Sim, falo das duas mesas que envolveram o historiador e diretor da biblioteca de Harvard, Robert Darnton - uma com o diretor da Penguin, John Makinson e a outra com o historiador da cultura, Peter Burke.

Mas aí, rapaz, chego em Parati e, caminhando com minha namorada pelas ruazitas do centro histórico, descubro algo tão significante pra esse assunto das duas mesas. Algo tão eloqüente quanto as declarações do Darnton sobre os riscos de se entregar ao Google e a empresas privadas o monópolio da informação e do conhecimento; tão assustador quanto o John Makinson falando da Amazon apagar livros do Kindle alheio; ou o Peter Burk questionando sobre a perda da capacidade de ler devagar.

O que é que pode ser tão simbólico?
Uma fogueira de livros?
Uma distribuição de e-readers?
Dezessete andróides do Paulo Coelho, reproduzindo e-books do mago 24 horas por dia?

Não.

Um estande da companhia Suzano de Celulose.

Presta atenção: junto da livraria da FLIP, perto de onde os autores autografam, tem uns espaços alugados por empresas pra se divulgar. E um deles foi alugado justamente pela Suzano. Todo, todo decorado com os motivos do "papel polen bold" (aquele amarelinho dos livros), exaltando suas qualidades pra leitura, cansa menos os olhos, permite ler mais livros e assim obter mais conhecimento e, logo, fazer um mundo melhor. Sim, esse discurso está no folder que se encontra no espaço. Estão fazendo um belo investimento pra me convencer de que é bom ler no papel. É mais ou menos como fazer uma campanha pra dizer que água é bom pra tomar banho.

Cara, a turma do papel está assustada mesmo.
Vieram se defender.
Chega a ser esquisito.

Deixa eu contar mais um pouco: o estande é meio lounge, tem pufes, luminárias e livros pra quem quiser sentar ali e ler em um bom polen bold. E mais: em um espaço especial, uma moça lê initerruptamente, livros inteiros. Na sexta, por exemplo, leu todo o Luka e o fogo da vida, do Salman Rushdie. Leu sem parar durante quase cinco horas, e quem quisesse podia colocar fones de ouvido e acompanhar a leitura dela.

Um tanto bizarro, um tanto surreal, mas também muito parecido com as mesas sobre a questão dos livros: escancara o tema do momento e bota pra pensar, pra perguntar. Por exemplo: não vi até agora ninguém lendo um Kindle ou um Ipad por aqui. Na verdade, vi muito poucas pessoas lendo aqui em Parati. Mas no estande da Suzano sempre tem um sujeito ou outro agarrado num livro. Outra coisa é essa mulher que hoje vai ler um livro infantil e depois uma das tantas obras que tem lá na biblioteca que a Suzano oferece: além de estar comprovando o que o pessoal da fabricante de celulose quer comprovar - que o papel não cansa os olhos como uma tela -, ela está também nos lembrando do seguinte: meu chapa, livro não fica sem bateria nunca, pode ficar chato, lento, enrolado, mas não vai nunca apagar no meio da leitura.

E isso significa o quê?

Tudo e nada. Assim como as mesas sobre a questão dos livros aqui da FLIP, o estande da Suzano, ao mesmo tempo, reforça o pavor e o medo de que o livro impresso esteja mesmo sumindo, e a esperança de que sempre vai ter um canto pra gente ler em bom e amarelo polen bold.

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Só pra não perder o hábito de fazer comentários rápidos:

1 - Não lotou a mesa sobre o futuro dos livros na sexta de manhã. Apesar de tudo o que eu escrevi aqui em cima, na verdade, ninguém está tão interessado nesse assunto assim?
2 - Pauline Melville e William Boyd fizeram mais uma boa mesa com bastante espaço para a literatura e reafirmaram uma tradição que a FLIP tem pra mim: a de me fazer voltar pra Porto Alegre com uma lista de autores para ler.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

POR CAUSA DA FLIP 1

Pois Suposto, querido, voltei.
E tanto tempo sem aparecer aqui vai ser compensado com uma enxurrada.
É que ando por Parati, na FLIP, e combinei de mandar pra revista Aplauso alguns textos sobre o que vejo por aqui. Entonces, dá pra ler lá na Aplauso, ou aqui embaixo mesmo. Aparece aí, Suposto, porque eu vou vir aqui todos os dias.

Ah, e o primeiro texto tá aqui embaixo:

O SISTEMA DE TELETRANSPORTE DA FLIP

Dá pra falar muita coisa de um primeiro dia de FLIP. Dia em que assisti quatro mesas, cruzei com o Moacyr Scliar, André Laurentino, Cardoso, mas tem uma coisa que não me sai da cabeça, que me põe confuso já há um tempo, desde a primeira vez em que vim pra Festa, em 2006. Falo do misterioso sistema de teletransporte daqui de Parati.

Calma, posso explicar.

Ainda não entendi como é que se faz pra ter acesso a esse serviço, nem ninguém me confirmou que ele exista. Mas só pode existir. Vou dar um exemplo que com exemplo a gente entende melhor.

Seguinte, depois de cada mesa da FLIP, os autores têm uma sessão de autógrafos, sentam-se atrás de uma mesa, caneteiam e são fotografados pelos fãs. Pois, depois da mesa da Isabel Allende, não foi diferente: após uma hora e tanto de causos, Antonios Bandeiras, Allendes, plásticas e outros assuntos, a Isabel disse Gracias pra plateia, o pessoal aplaudiu, eu levantei e comecei a sair. E no que saí da tenda, me deparei com uma fila de mais ou menos cem, cento e cinquenta pessoas já esperando pelo autógrafo. Repito: a mesa encerrou, eu levantei e já tinha umas 200 pessoas - no tempo de uma frase, a fila cresce muito por aqui. Nem cinco minutos.

Tchê, aí é que me pergunto: como, de onde, quando essa pessoas todas surgiram? Surgem?

Porque esse fenômeno da geração expontânea de fila não é exclusividade da escritora chilena não. Já vi o mesmo e até mais acontecer pro Chico Buarque, Lobo Antunes, Coetzee, Amóz Oz, Ferreira Gullar e outros. É um troço que acontece num já, que, juro, se o Usain Bolt disparasse no momento do agradecimento, ele ia pegar o trigésimo, o quadragésimo lugar da fila.

E aí fico pensando: como é que faz pra ser o primeirão?

Era do que eu vinha falando, esse sistema de teletransporte da FLIP. Ainda não sei se são só os VIPs que têm. Ou se são cobaias humanas de um projeto científico. Ou as duas coisas. Mas dou por certo que uma turma recebe ingressos com um moderníssimo chip teletransportador que ao menor ruído de Gracias ou Thanks, teletransporta o sujeito pra fila de autógrafos. Assim, vup, imediato, de um lugar ao outro sem perder um segundo.

Só pode ser assim.

Porque se não for, seria uma sacanagem com os grandes fãs da Isabel Allende, do Chico, do Paul Auster. Seria sim, já que sem o teletransporte, só teria um jeito de estar lá no primeiro lugar da fila: sair antes da mesa acabar. Pô, e é tão difícil conseguir ingresso pra FLIP (nesse ano, acabaram em duas horas), está cada vez mais caro, seria até triste essa turma ter que levantar antes, perder o que seus autores favoritos têm a dizer, pra ter que correr pra pegar um autógrafo. Não é?

Que bom que tem o teletransporte, então.

P.S: As fotos mostram um pouco da fila de autógrafos da Isabel Allende. Todas essas pessoas já estavam na fila, quando eu saí da mesa.

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A comentar:
1 - Acho que a grande mesa do primeiro dia foi Fábulas Contemporâneas, que reuniu os brasileiros Ronaldo Correia de Brito, Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes. Bate-papo solto, mas falando de literatura, discutindo processos, formas e estilos de cada um. Coisa boa de ver ouvir. Pena que tenha sido também a mesa com menos público das quatro que assisti.

2 - Humberto Werneck é o melhor mediador que já vi em FLIPs. Ele mediou uma mesa histórica do Lobo Antunes no ano passado e neste ano comadou a participação da Isabel Allende. Grande. E detalhe: mediadores podem ser a diferença entre assistir declarações no melhor estilo Caras - acontece muito por aqui - ou ver escritores discutindo literatura pra valer.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Por Causa do Suposto Juiz

Oi, Suposto Leitor.

Pois como eu já tinha dito, entrei de juiz no Gauchão de Literatura. Apitei-resenhei a partida entre Lya Luft x Susana Vernieri. Quer saber o que que deu disso. Então vai lá no site do Gauchão e descobre.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Por Causa do Sumiço, da Copa e de Canoas

Andei sumido, eu sei, Suposto Leitor. Se foi por causa da copa? Também. Mas não a copa do mundo, lá na África do Sul. Sim, por causa da Copa Gaúcha de Literatura. Que diabos é isso? Ah, é um idéia do Rodrigo Rosp, inspirada na Copa Brasileira de Literatura. É um torneio entre livros. Sim, livros divididos em grupos, disputando jogos para chegar a grande final. E como é que livro joga. Simples, Suposto, chama-se um juiz, que é o sujeito que vai ler dois livros, resenhar e comparar as obras e atribuir um placar. Dá pra entender melhor no site da função.

Pues bem, aí é que eu entrei. Sou um dos juízes da peleia e esse é um dos motivos pelos quais ando longe daqui. Mas logo, logo, vou avisar que a data da minha partida.

Enquanto isso, faço aquela agendinha pra avisar que, semana que vem, vou duas vezes a Canoas, participar da Feira do Livro de lá que não para de crescer. Confere a programação aqui. E aqui, a minha programação:
14 de junho, segunda às 19h30: faço um debate papo com o Rafael Jacobsen sobre o trabalho de criação no conto e no romance. A entrada é franca e conversa acontece no Auditório Raquel de Queiroz, na Praça da Bandeira.

19 de junho, sábado às 15h: aí é uma mesa com o Charles Kiefer e o Rodrigo Rosp sobre mercado editorial e afins. A entrada é franca e também será no Auditório Raquel de Queiroz, na Praça da Bandeira.

Bueno, Suposto confere o Gauchão de Literatura e, se puder, aparece lá em Canoas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Por Causa da Berda na Molsa

Lembram da história do botão vermelho, da guerra fria, do ai meudeusdocéu se alguém deixa o copo de café sobre o botão vermelho e disparam os mísseis nucleares, lembram? Eu não lembro, nasci quando a guerra fria já amornava. Mas todo mundo sabe dessa paranóia, o mundo a mercê de um cotovelo descuidado, podendo virar pó porque um russo engraçadinho disse “pensa rapidoviski”, jogou uma bola pro amigo, o amigo tava distraidoviski e a bola bateu no botão e bumzovsky, todos desaparecemos.

Pois, Suposto Leitor, esses tempos estão de volta.

Não, não a guerra fria, meu chapa. Mas o medo do botão errado, na hora errada. Não viu as notícias da despencada das bolsas ontem? Se não viu, eu te conto, ou melhor, transcrevo o interessante trecho do botivo, digo, motivo, da queda:

(...) até que houve a queda brusca, de cinco minutos, na Bolsa de Nova York. (...) O mergulho poderia ter começado pelo erro de um corretor, aparentemente do Citigroup, que, em vez de teclar a letra “m” de milhão, apertou a “b” de bilhão. A ordem de venda onde aparece o suposto erro pode ter sido sobre ações da empresa Procter & Gamble, que recuaram imediatamente mais de 25%.

Tchê, deu pra entender isso? Hoje em dia a gente já sabe que vive que nem dominó por causa da globalização, das bolsas, da queda do muro de Merlim, digo, Berlim, etecétera e tal, que se derrubarem uma pecinha lá na Cracóvia a coisa vem caindo até aqui.

Mas o que eu não sabia é que a coisa é tão, tão, mas tão sutil. Um operador da molsa, digo, bolsa, em Xangai aperta uma letra errada e bum! Bolsas abaixo, cabelos em pé, todo mundo louco, crise mundial.

Não tem “control z” no mercado financeiro?

Não tem aquela telinha do windows perguntando “Are you sure?”

Só que o mais catastrófico disso talvez seja constatar essa manalização, ou melhor, banalização das cifras, do lidar com dinheiro. Do jeito que as informações chegam pra gente, a sensação que dá é a de que vivemos no meio de um monte de Doctor Evils, o vilão do Austin Powers, sabe? E não pela vilania, pelas ganas de conquistar o mundo, não. Mas porque imagino um monte de carecas na bolsa vendendo one million dólares... ops, one billion dólares! Vai dizer, é tanto dinheiro circulando assim, sem ninguém tocar, sem ninguém contar, sem ninguém ver, sem faltar no final do mês, voando pra lá e pra cá, é tão não real e banal que nas matérias, nos investimentos nas conversas e na bolsa, se troca do milhão pro bilhão num ops, num não era isso que eu queria dizer. E a coisa fica por aí mesmo. A distância entre um milhão e um bilhão, em vez de novecentos e noventa e nove milhões, pode ser a tecla o ene que separa o bê do m no teclado. Só isso.

Sugiro que a Apple, a IBM, a Microsoft criem um teclado exclusivo pra bolsas de valores com as teclas hundred, thousand, million, billion e, quem sabe, trillion. Acho que quem lançar esse produto vai faturar milhões. Ou bilhões.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Por Causa da Mudança

Uma sensação que me bateu esses dias, que não chegou a virar um texto:

Arrumar os livros nas prateleiras da casa nova é lembrar da minha ignorância.