sexta-feira, 6 de junho de 2008

Por Causa dos Elefantes de Novo

Um elefante incomoda muita gente e vale por mais de 800 gentes. Calma. Explico.

Pra não me chamarem de desmemoriado – o que não combina com quem escreve por causa dos elefantes – ou de aproveitador, ou de qualquer coisa, fui ao google: elefantes áfrica do sul, pesquisei. Na verdade antes – e isso valia um comentário à parte – tentei mandar um e-mail pro Greenpeace pra saber se eles tinham notícias dos paquidermes sulafricanos, mas na página do Greenpeace não tem e-mail pra contato. Os e-mails estão em extinção? Ei, Greenpeace, bota um e-mail pra gente perguntar as coisas do mundo pra vocês. Jura que o Greenpeace vai ler isso aqui.

Voltemos aos elefantes.

Pesquisei no Google e achei novas informações. Muito parecidas com aquelas. Dá pra ler na íntegra aqui. Assim, resumindo, o governo de lá reafirma a necessidade de sacrifício seletivo (isso parece um puta eufemismo holocáustico, não?), mas, vamos lá, eles reafirmam a necessidade do tal sacrifício seletivo porque:

“Os parques nacionais da África do Sul sofrem de uma superpopulação de elefantes que pôs em risco os ecossistemas pela voracidade dos mamíferos terrestres mais pesados, que não costumam pensar duas vezes para escolher seu bocado”.

“...na África do Sul os animais (os elefantes) não são bem-vistos porque arrasam com a vegetação da área na qual vivem e são capazes de derrubar uma árvore para conseguir um galho apetitoso.”

“Na África do Sul há muito mais elefantes do que seu ecossistema pode permitir. Calcula-se que há cerca de 20.000 elefantes, dos quais 14.000 estão no Parque Nacional Kruger(...) uma extensão de 1,96 milhões de hectares (uma extensão parecida ao território e El Salvador) (...) segundo os especialistas, a área só tem capacidade para 7.500 animais...”

“As autoridades do parque haviam projetado que (...) em 2020 haveria 34.000 deles só no Kruger.”

“Como estão amontoados, eles estão terminando com as reservas de vegetação do parque Kruger e põem em perigo outras espécies...”


Mas epa! Eu não conheço um bicho assim? Derruba árvore por um pote de palmito apetitoso, não pensa duas vezes antes de escolher seu bocado, uma população que não pára de crescer, ameaçando as outras espécies do planeta. Somos nós. Nós que temos 6,2 milhões em um território com tamanho muito próximo a El Salvador, ou melhor, em El Salvador mesmo. E outros quase 200 milhões aqui no Brasil e mais de bilhão na China. Ou seja um elefante incomoda muita gente e tá incomodando mais do que 822 humanos – que é a proporção entre os paquidermes do parque Kruger e os seres humanos salvadorenhos.

Não entendo chongas do universo elefântico e de cálculos demográficos. Mas precisa matar mesmo? Precisa sacrifício seletivo? Não dá pra mandar os bichos prum zoológico? Não é o ideal pra eles, imagino, mas é mais humano (ou elefante) do que meter bala neles. Não? Mandem uns aqui pro Pampa Safári, outros pra Sapucaia, sei eu. Quantos Zoológicos têm no mundo? Será que menos de 7.500? Se tiver 3.750 (hoje acordei especialmente matemático), é só mandar dois pra cada um e pronto. Parque Kruger salvo, bicharada viva e ainda um monte de criança faceira com a chegada dos novos dumbos e jotalhões. Tá, deve custar uma fortuna isso, eu sei, Suposto Leitor. Mas isso se chama retórica, Suposto. É pra botar a pensar “Ué, será que não tem outro jeito?”

Pode ser que tenha.

Mas se não tiver, e acho que não vai ter – parece que desde primeiro de maio, os trabalhos começaram lá pelas savanas –, mas como eu dizia, se não tiver outro jeito, espero que nunca vivamos no Planeta dos Elefantes. Eles não vão esquecer do sacrifício seletivo. Se bem que talvez lembrem que eu escrevi por causa deles.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Por Causa do Mosquito da Dengue

Voltei. Por causa da dengue. Porque acho que descobri como dar um fim na doença, no Aedes Aegypti e em todo zumzumzum sobre a epidemia.

É muito simples: Menina Isabela.

Não sei se eu que ando mal informado ou é o Brasil todo que tá. Mas tenho a sensação de que desde que começou esse Big Brother Nardoni, a dengue sumiu do mapa. No mínimo dos noticiários. Não ouvi mais falar. E até um mês e pouco atrás isso era caso de calamidade pública, todo dia entrevista nas filas dos hospitais, debate com médicos, vigilância sanitária, não sei quantos casos novos diagnosticados todo dias. E aí, de repente, nada mais.

Donde eu concluo que ou a epidemia passou e, eu sei suposto leitor, que é possível que com a chegada do frio o mosquito tenha se mandado daqui mesmo e daí esse texto pode ser só uma constatação de que a dengue deu um tempo, mas, como eu dizia, ou a epidemia acabou há mais de mês, ou é muito mais importante pro Brasil a história dos Nardoni.

Não vou entrar no mérito se foi o pai, a madrasta, a menina ou sei lá quem o culpado e nem vou questionar a dramaticidade da história. Até porque eu tenho boicotado tudo o que fala sobre o assunto. Como não gosto de BBB, mudo de canal sempre que o Willian Bonner franze o cenho e diz Caso Isabela Nardoni. E não volto por bastante tempo, porque é impressionante o tempo que dedicam a essa história.

Podem me chamar de insensível. Que eu chamo de insensível também quem não reparou quanta notícia que nos diz realmente respeito (dengue, CPIs e tanto mais) some do dia-a-dia desde que iniciou a comoção nacional. Tu põe em qualquer noticiário e tão até discutindo a adaptação dos suspeitos ao presídio.

Sério, respeito todos os envolvidos na história – respeito tanto que nem me meto –, mas, vamos combinar, tem tanta gente mal em presídio, tem tanta criança que apanha, é abusada e até assassinada, tem tanta barbaridade acontecendo às vezes até no nosso vizinho (espero que o meu não leia), e ninguém mete o bedelho ou toca no assunto. Ninguém se mexe pra ir apedrejar, linchar, xingar. Ninguém faz matéria. Ninguém põe alguém chorando o assunto no Fantástico. E ninguém mais fala da dengue.

Especulo até: será que o drama dessa história é mais próximo de nós do que a dengue? Será que o fato de o caso ter ocorrido na classe média brasileira e de a dengue não ter chegado na zona sul do Rio, por exemplo nos faz sentir mais expostos ao Caso Isabela Nardoni do que aos trocentos Casos de Dengue?

Não sei.

Bom, mas como eu já falei que não gosto desse Big Brother que só elimina notícia, eu pergunto: alguém aí sabe se a dengue já passou?

terça-feira, 8 de abril de 2008

Por Causa dos Interesses do Fernando

Tá, daí participei da FestiPoa Literária. Eu e mais um bando de gente boa e amiga que foi se pechando pelas mesas, saraus e bares da Festa. Falo do meu já velho amigo Everton, do Lima Trindade e seu inseparável Lázaro, do Sandro Ornellas que caiu de pára-quedas da Bahia em uma microchurrascaria em pleno Bom Fim (não era Senhor do, mas era Bom Fim). Falo também do Marcelino Freire, esse amigo de todo mundo, incentivador de todos que precisam, do Marco e do André que dividiram mesa comigo. E tem mais, bem mais gente que fez desse um evento pra repetir e fazer crescer.

Mas O gente boa que não se pode esquecer é Fernando Ramos, do Vaia, do FestiVaia, da FestiPoa. Porcaudiquê? Relato pra vocês a conversa que tive com ele no Zelig, durante a FestiPoa, conversa que me deu noção da grandeza desse rapaz. Assim, ó: dava mais uma vez parabéns pra ele pelo evento e, lá no meio do parabéns, me dei conta de que Cara, sabe o que é ainda mais legal e bonito nessa história toda? É que tu faz essa função toda desinteressadamente. Repara, os escritores todos estão divulgando o seu trabalho, mas tu, meu velho, olha que legal, é um leitor, um apaixonado querendo divulgar livros, letras, escritores. É ou não é?

Pois o maquiavélico Fernando Ramos respondeu Nãããão, tás enganando, eu tenho o interesse de divulgar o Vaia.

Ahá.

Mas aí perguntei pro Fernando e pergunto pra vocês, leitores reais e hipotéticos, o que é o Vaia se não um jornal feito por um leitor, um apaixonado querendo divulgar livros, letras, escritores? É ou não é? Se é assim cheio de (adoraria que vocês lessem a próxima palvra com a entonação do Brizola) interesses que o Fernando toca seu barco e sua Vaia, eu faço o que fiz no Zelig:
um brinde ao Fernando e ao FestiPoa.

P.S: sim, acessem e assinem o Vaia. Ajudem a manter os interesses do Fernando.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Por Causa de Pelotas


Me voy a Pelotas junto com o Rodrigo Rosp (escritor e meu editor) no sábado, 12 de abril. Lançaremos o meu livro (Azar do Personagem) e o do Rodrigo (A Virgem Que Não Conhecia Picasso) na Livraria Mundial (Rua 15 de novembro, 564 - Centro). A função vai acontecer às quatro da tarde e tá todo mundo convidado, desde os leitores hipotéticos até o Leandro Luz, que, no post aqui de baixo, se identificou como leitor desse blogue. Feito o convite.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Por Causa do Esquilo

Ó, outro animal aparecendo aqui. Na verdade, surgiu na minha frente aqui no Jardim Botânico do Rio. Pintou e eu, num agora, já estava câmera na mão, zoom, pára um pouquinho bichinho, pára aí, não, não, pára aí, Reginaldo.
Parei e lembrei de uma coisa que pensei nas férias há quase um ano. Coisa que poderia transformar esse texto em Por Causa da Memória. Falo da indústria fotográfica e da japoneização de todos nós. Já reparou que a gente quase não repara mais? O esquilo aparece e já vira jotapegue. O céu tá bonito? Digitaliza. E é aí que falo por causa da memória. Não sou não contra a tecnologia, muito menos contra fotos, mas, às vezes, acho que a indústria fotográfica podia dar uma parada. E nós também nessa nossa incontinência fotográfica. Na boa, agradeço a Deus por não sermos todos bons fotógrafos capazes de reproduzir num clique as belezas que a gente vê e por não haver esse recurso na minha câmera. Isso talvez ainda nos force a lembrar do que se vê. Não fosse assim, babau memória visual, penso eu. Nossos recuerdos seriam em cartão, na cybershot, ou no celular. Cada vez mais fora de nós. Imagina não contar mais uma lembrança, viraríamos slideshows ambulantes.

Ontem conheci uma guria, cara que... ó, dá uma olhada aqui na câmera
Bah, foi um golaço, deixa eu pegar meu celular
Como foram as férias?; Pega aqui, mas devolve hoje o cartão que fiquei de contar pra minha namorada também.
Menina, tem um vestido na Zara que, nossa, vou te mandar o jotapegue.
Profi, nessa prova dá pra consultar a câmera digital?


O que tem me parecido é que a gente tem passado mais tempo fotografando do que vendo, curtindo o que fotografou. Tá, eu fotografei os esquilos, admito. Mas depois da segunda foto, parei. E agora tem uma criança loirinha aqui do meu lado, linda, olhinhos azuis e juro que não vou fotografar. Até porque a mãe pode achar que eu sou um sujeito meio esquisito, tirando fotos de criancinhas no parque, né?

Ó, o tal do esquilo aqui em cima.
sexta, 21/3/8


quarta-feira, 19 de março de 2008

Por Causa de Outros Textos

Ia escrever aqui falando de uma coluna que fiz pro jornal Vaia. Começaria mais ou menos assim "Já que eu não tenho escrito aqui, vocês podem me ler lá..." e daí parei, pensei "Vocês?", mas whatthefuck vocês, Reginaldo?, tu sinceramente acha que alguém está visitando esse blogue, que há leitores aqui? E, na minha cabeça, uma coisa leva há outra, que leva a outra. Dessa vez me levou a pensar sobre essa coisa de blogar, postar e no porquê de tudo isso. No meu caso começou por causa dos elefantes, como eu já disse ali embaixo. Escrevi, botei aqui e depois mandei um e-mail pra uma turma que achei que gostaria de conhecer o que eu pensava sobre aquele assunto e que eu não conseguiria reunir rápido num bar pra conversar. Ok, pensei, eu queria dividir aquele texto com aquele grupo. Dividi. Mas e agora? Depois que eu terminar esse aqui, será que mando pra todo mundo de novo? E quando achar mais um porquê botar palavras aqui de novo, emeio pra eles mais uma vez? Ó, ó as coisas me levando a outras: mas vem cá, criar um blogue é criar automaticamente um chato? Isso não estava escrito nos termos e condições do blogspot. Mas é a sensação que dá, que se eu ficar publicando aqui e avisando todo mundo toda hora, vou ter que me aceitar um chato exibicionista. Mas tu não escreveu pra ser lido, rapá? Se tu não avisar, ninguém vai ler, me diz uma vozinha aqui. Será? Será que os blogueiros esses que são lidos fazem, faziam isso: texto novo, pam, um sapm? Garanto que - caso houvesse leitores aqui -, já teria um pensando "mangolão, tem uma ferramenta que faz esse aviso automaticamente". Mas aí eu diria assim pra esse suposto leitor:
- Suposto Leitor, em primeiro lugar, sou bastante limitado nessas tecnologias e também preguiçoso pra elas, portanto não sei e provavelmente não vou saber da existência dessa possível ferramenta. E, em segundo lugar, Suposto Leitor, me parece que o fato de a ferramenta fazer o spam por mim é só um paliativo pra dor na consciência. Tu não vai ter a sensação de selecionar dez, vinte, cem endereços de e-mail, digitar "Ó, texto novo" e enviar. Logo, tu não vai ter a sensação de ser chato. Mas lá nos outros lados, onde receberem o aviso do spam-automático-gerado-pela-possível-ferramenta, onde alguém ler "Mensagem automática: novo texto no blogue", pois lá, Suposto Leitor, lá outros leitores pensarão "Mas que pé no saco do caramba, mais um e-mail desse...". Entendido, Suposto Leitor? Quando tu opta, seja lá por que tecnologia menos ou mais arcaica, quando faz a opção de ficar pentelhando no e-mail dos outros a todo instante, tu opta por ser um chato. Só varia o grau de intensidade com que a chatice se manifesta pra ti. É o que eu acho.

Mas voltando a falar com os outros supostos leitores, vocês continuarão assim, supostos, eu acho. Porque decidi que não vou ficar avisando ninguém sobre textos novos no blogue. A não ser que pense que é interessante mesmo pra alguém, que esse alguém gostaria de ler isso.

Ah, sim, supostos leitores, estou escrevendo nas próximas sete semanas a Curadoria Literária do Jornal Vaia. Era por causa disso que ia escrever esse texto. Se quiserem ver essa curadoria, é só clicar lá em cima ou aqui.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Por Causa da Falta de Assunto - ou Agenda

Pois é, como eu previa, sou um fracasso total como mantenedor de blogues. Cheguei a tentar me informar sobre a história dos elefontes e seus desenrolares. Não achei nada até agora. Então vou aproveitar esse espaço que tá aqui, de bandeja, pra convidar quem por aqui passar pra uma série de eventos da qual vou participar. Pois bem:

- Dia 25 de março, terça-feira, sou o autor convidado pra abrir os trabalhos de um programa da Faculdade de Letras da PUCRS chamado Literatura é Assim: Sarau dos Novos. Vou ler contos, me apresentar e bater um papo com alunos, professores e quem mais quiser aparecer. É aberto e de grátis. Aparece lá:
Sarau dos Novos com Reginaldo Pujol Filho (eu)
Na Faculdade de Letras da PUCRS, Prédio 8, sala 305
25/03 - Terça - A partir das 18h

- Daí no dia 28, faço minha primeira participação na FestiPOA Literária (a I Festa Literária de Porto Alegre). Vai ser no no SARAU LÍTERO-SONORO DO JORNAL VAIA. Vou lá, junto com músicos e escritores ler um conto, tomar umas cervejas e aproveitar essa baita realização que é o FestiPOA. Entonces:
Sarau Lítero-sonoro do Jornal Vaia
No Espaço Cultural Casa dos Bancários (Rua General Câmara, 424)
28/03 - Sexta - A partir das 20h30

- E aí, no Sábado 29, participo de uma mesa de debates do FestiPOA. Tá descrito assim na programação da Festa: Reginaldo Pujol Filho conversa com Lima Trindade, Marco de Menezes, André Maciel, Everton Behenck e Gustavo Rios. Quer conversar com a gente? Então vai lá:
FestiPOA Literária, última mesa, comigo, entre outros.
Na Palvraria (Vasco da Gama, 165)
29/03 - Sábado - A partir das 18h

Acho que é isso.
Seu descobrir o que anda acontecendo com os elefantes, tiver um novo convite, ou um novo algo a dizer, volto aqui.